terça-feira, 3 de agosto de 2010

Educaçao

Trabalho como professor, e modéstia parte sou um bom profissional, mas vejo na educação o reflexo do Brasil. Vamos lá, existem duas realidades do ensino no país, a primeira é a publica, dentro dela a escola totalmente gratuita e a conveniada, na publica vemos um total desleixo com a educação, a estrutura é péssima, não há interesse por parte dos alunos e um grande desanimo por parte dos professores, na conveniada a situação é melhor, pois há uma cobrança por parte dos pais, não que não exista essa cobrança na publica, só que é muito raro acontecer. Já na privada a realidade é diferente, a estrutura é melhor, os alunos são mais interessados e mais preparados. Nessa segunda estava na sala dos professores conversando com a coordenadora pedagógica de uma das escolas que dou aula, estava falando justamente sobre essas diferenças, e achei interessante o que ela me falou, que na escola publica, o ritmo é dado pelo aluno, temos que acompanhar o seu tempo, pois se você ultrapassar isso, o aluno não aprende, desanima e desiste, para mim a pior coisa que acontece é chegar no conselho de classe e aprovar o aluno sem ele saber nada, e para eles esta muito bom, pois no mesmo dia resolvi ter uma conversa com vários deles, sobre expectativa de futuro, e para minha surpresa, muitos, mas muitos mesmo, queriam ser donos de Lan House, donos de ferro velho, garajeiros, gerente de supermercados, manicures, não que sejam trabalhos ruins, mas se desde já eles desejam trabalhos que geralmente as pessoas fazem só para complementar a renda ou ate arranjar algo melhor, eles querem isso como ideal de vida, pois para eles isso é a realidade, teve um aluno meu que disse que ele trabalha a dois anos em uma padaria, e que ele não pensava em sair de lá tão cedo, porque seu salário tinha aumentado, nessa conversa expliquei para eles que nos temos que ter uma profissão, que isso que muitos queriam eram trabalhos, mas que a profissão que é importante, você sendo um profissional, ninguém tira isso de você, dei meu exemplo, em que posso até não ganhar bem, na verdade ainda ganho mal, mas que sou um profissional, pode ter guerras, o mundo pode acabar, mas ainda sou professor e que questões de salário assim como a experiência vão melhorando com o tempo.
Já na rede privada, o professor da ritmo da aula e os alunos seguem, e vai tentar enrolar ou passar a mão na cabeça do aluno, tanto a coordenação, quanto os pais irão saber porque o filho, não está ralando como deveria, a historia é outra, e os sonhos também, as profissões desejadas, são as clássicas de medico a engenheiro, dá prazer cada aula dada nesse ritmo, você vê que a classe esta aprendendo o que esta sendo apresentado.
Cada vez mais fico convencido que esse quadro é feito de propósito, o estado precisa de mão de obra barata, e não vai ser seus filhos que irão trabalhar em Lan Houses, é padarias, e o filho do seus eleitores, os filhos da burguesia irão ter profissões elitizadas mantendo o seu legado financeiro, e vejo que isso nunca irá mudar, porque não há interesse em mudança, tanto do proletariado, quanto da burguesia e do governo. Enquanto isso não acontece, vou fazendo a minha parte incentivando meus alunos q ter um futuro melhor.

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